terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pequena crônica sobre mentiras.

Hoje ao acordar eu tive muitas sensações estranhas misturadas.
Eu não poderia deixar de partilhá-las aqui, seja lá com quem for que venha a ler.
Pra que percebam que eu não tenho texto pronto todos os dias... às vezes, muitas coisas vão se embaralhando em minha cabeça e eu só consigo colocá-las em ordem quando chego aqui. Pois é...blogs também são catárticos.

Amanheci o dia com uma estranha sensação de vazio e de liberdade. Há muito tempo não me sentia assim. Ao chegar no trabalho, entrei pra mais uma das um milhão quinhentas e setenta e duas mil reuniões anuais... e não deixei de fazer uma pequena referência, uma alusão a conversas de outros dias que talvez jamais terminarão. "Esqueça", pensei. Um leve sorriso brotou dos meus lábios, e foi dando lugar a um suspiro contido. No escuro do auditório, no meio daquele bolodório todo, ninguém percebeu minha estranha e mutante expressão.

Logo mais ao chegar no trabalho, entrei na minha caixa de e-mails. Recebi uma mensagem desagradável de uma mulher que não se dá o respeito me dizendo - pelo e-mail do cara que conheci há um tempo e com o qual não tenho mais contato - que ele  era dela, que era melhor eu sair do caminho etc. e tal....Acontece que eu de fato já sai do caminho já faz tempo.Não era minha vibe, não colou, eu soube sair fora de forma sutil e discreta e ele também, sem traumas. Liguei pra ele. Pedi que desse um jeito de preservar a intimidade dele e que não deixasse suas senhas por aí porque não queria dor de cabeça pro meu lado...

Nesse momento tanta coisa veio à minha cabeça. Quando ele se encontrou comigo ainda namorava com a moça em questão... e eu de repente me vi com ódio profundo de tanta mentira. Eu não tive culpa de conhecer um cara e ficar com ele, pois eu sequer sabia que ele era comprometido! Mas eu não fiquei com raiva só dele: eu fiquei com raiva de todas as mentiras veladas e escancaradas que passaram pela minha vida pela boca dele e de outros homens que eu conheci ou quase conheci. Pra que a mentira...?Eu pensei. Oh necessidade maldita essa de mentir - ou omitir - as coisas....No fundo no fundo... A mentira tem um pai. Mas a mentira também tem um irmão sacana: a omissão. E de fato, dependendo do contexto, eu não posso saber qual delas é pior.

Eu pensei então, ao chegar em casa, em escrever sobre todos os sentimentos contraditórios que eu senti hoje: nostalgia. Tristeza. Resignação. Alívio. Liberdade Raiva. Até me passou pela cabeça algo como...abstinência. E sobre este último, eu notei que, de fato, sempre buscamos nos satisfazer com aquilo que nos vicia e ao mesmo tempo nos faz mal. A abstinência é algo insuportável de lidar. Ao mesmo tempo, insuportável é o vício e o mal estar que ele nos traz. E eu descobri com pesar o motivo da minha crise de abstinência: é porque, por algum motivo inexplicável, muito embora eu odeie, muito embora eu tenha repulsa, eu andei, por um bom tempo, viciada em pequenas mentiras sinceras e doces omissões.

Pois é...eu, vítima das omissões e das mentiras...estou sofrendo justamente porque resolvi forçosamente ausentar-me delas. Só por hoje. Talvez para sempre. Pelo menos dessas que eu já conheço.

Eu também pensei em várias músicas que pairaram sobre a minha cabeça no dia de hoje, e foram muitas, algumas românticas, outras tristes, outras...músicas...De todas, talvez a mais imbecil na qual eu  tenha pensado é a que vou postar agora. Cansada de mentiras. Porém em crise de abstinência.


Nem todos os dias são inspirados e bons. Talvez esse tenha sido o post mais raso que eu já tenha escrito - um típico diário virtual. Porém, conforme eu disse no início, blogs também são catárticos. E a catarse nem sempre é poética, nem sempre é linear. É apenas uma catarse, e só.

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